Cati Freitas

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Estou com uma rouquidão que não desaparece há mais de um mês.

Estou com uma rouquidão que não desaparece há mais de um mês. A intuição cá me sussurra. Diz-me que a “voz” se queixa de alguma coisa.
Parece carente de se expressar como deseja. Manifesta-se no corpo desta maneira. Cansa-se, abate-se, em silêncio. Desaparece como protesto - como se lhe restasse alternativa a não ser a de esperar. Não sei que nome hei de dar ao tipo de texto que escrevo. Talvez: Crónica. – Os entendidos do assunto talvez lhe chamem assim, dizem. Não escrevo só por escrever ou para extrair, sem forma, o que me vai no intimo. Sinto um propósito nas minhas palavras. Mas não penso muito acerca disso. Escrevo porque sim. E basta. Não tenho qualquer pretensão literária e nem saberia tê-la. Escrever suaviza os meus dias, e nisto pareço encontrar mais um motivo para existir; é uma sensação de alívio sempre que consigo fazê-lo com propriedade e de forma fiel ainda que com o eterno sabor do incompleto. Sou mais gente. Talvez seja a única coisa que para ser feita só precise de mim mesma, e esta é uma sensação que me atrai. Quando escrevo, esmiuço a perceção e organizo a essência. Descubro substratos que eu própria desconheço acerca de mim. São como segredos guardados a emergirem à superfície - muitas vezes já identificada, outras não. Receio que, ao não escrever, a minha visão fique vaga, não reconhecida pela própria origem. No entanto nem sempre a tinta me escorre, isso enfatiza uma espécie de dor: a da agonia e a da frustração. É uma responsabilidade tamanha descrever um sentimento sem lhe ser desleal. Deixá-lo falar mais alto mesmo quando o vocabulário é insuficiente. É aí que me sinto impotente, é aí que, verdadeiramente, experimento a minha real pobreza. A inspiração subentende um estado que vai além, um acesso instantâneo a uma elevada parte de mim que nem sempre está disponível. É como uma locomotiva de fluidez, um instante revelador.
São muitos os aprendizados que posso tirar por gostar de escrever e precisar de cantar. Ou de precisar das duas coisas em simultâneo e de formas distintas. Não sou uma fábrica constante de inspiração. Apesar de constatar que isso não é grave e que até pode ser normal, mas resisto em aceitá-lo de ânimo leve - talvez isso me provoque o abatimento que sinto agora. Rejeito a resignação acerca disto. Sou sentimental, exageradamente sentimental.
Os Sentimentos são o grande tesouro dos Homens!
Também não sei porque olho sempre para cima quando penso em Deus, deve ser somente um olhar simbólico. Se fechar os meus olhos, sinto-o, dentro, na área do coração.
Talvez precise de dirigir-lhe o meu pensamento agora.
Hoje, eu não me basto.

- Cati Freitas -

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