Cati Freitas

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Pudesse eu salvar-te...

Pudesse eu pendurar-me na lágrima que desce pelo teu rosto, e puxar o véu das cores que os teus olhos tingem.
Pudesse eu salvar-te...
Salvar-te destas horas em que o Mundo fica mais vazio sem ti. Salvar-te dessas mãos geladas sobre as tuas pernas. Desses dedos inquietos a deambular entre si. Desses olhos fixos a vaguear no profundo. Pudesse eu evitar o teu regresso a esse lugar de onde tentas resgatar e fazer emergir a Esperança. É aí que vejo e aprendo a resiliência: flameja em ti uma chama que arde firme, apesar de Dezembro. Firma a coragem da qual se constrói uma mulher madura. Usas de todo o teu esforço para não fechares a tua voz à dádiva. Tentas não curvar o peito face à ilusão do ruído do tempo em que vives e que te atraiçoa. Manténs o teu peito ao léu! Apontado para as estrelas! Para o firmamento! E pareces lá morar, no céu do teu coração! Na lucidez! Nessa lucidez de amar-te. É aí que, ao olhar-te, eu penso: como posso eu querer salvar-te? Pudesse eu salvar-te! Mas nunca o saberia. Pelo menos não desse jeito: tão transparente, tão ambiguamente frágil e forte. Soubesse eu salvar-me assim, como te salvas hoje. Por dentro e em silêncio. Choras e amadureces sabiamente sem que muitos dêem por isso. Sorris e acenas. Encantas. Pudesse eu. Só posso eu desejar proteger-te, assim, como me ensinas: por dentro, e em silêncio. Estás certa. Amanhã, Abril vai surgir nos teus olhos.

- Cati Freitas -

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